Arquivo de Candomblé - Rádio Yorùbá https://radioyoruba.com.br/category/matrizes-africanas/candomble/ Emissora de Radio e TV Sun, 14 Dec 2025 11:10:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://radioyoruba.com.br/wp-content/uploads/2024/10/cropped-LOGO_RADIO_YORUBA_500-32x32.png Arquivo de Candomblé - Rádio Yorùbá https://radioyoruba.com.br/category/matrizes-africanas/candomble/ 32 32 Racismo religioso: 76% dos terreiros no Brasil sofreram violências https://radioyoruba.com.br/2025/12/14/racismo-religioso-76-dos-terreiros-no-brasil-sofreram-violencias/ https://radioyoruba.com.br/2025/12/14/racismo-religioso-76-dos-terreiros-no-brasil-sofreram-violencias/#respond Sun, 14 Dec 2025 11:10:22 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=19021 Dado consta de pesquisa sobre racismo contra povos de axé Em Aracaju, há quase dois meses, a comunidade do terreiro de candomblé Ìlé Àṣé Ìyá Ọṣún precisou se reunir às pressas para socorrer a casa religiosa. O templo foi invadido, depredado e teve objetos, como geladeira, fogão e máquina de costura, furtados, além de itens […]

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Dado consta de pesquisa sobre racismo contra povos de axé

Em Aracaju, há quase dois meses, a comunidade do terreiro de candomblé Ìlé Àṣé Ìyá Ọṣún precisou se reunir às pressas para socorrer a casa religiosa. O templo foi invadido, depredado e teve objetos, como geladeira, fogão e máquina de costura, furtados, além de itens sagrados destruídos e profanados.

Há menos tempo, em novembro, um singelo desenho infantil representando a orixá Iansã levou policiais armados a intimidar a direção de uma escola pública, na cidade de São Paulo, depois que o pai de uma aluna ficou incomodado com a atividade.

Situações como essas podem ser descritas como casos de racismo religioso. O conceito é recente e busca evidenciar o racismo como componente da violência contra religiões afro e que vai além da intolerância religiosa. Para obter dados atualizados sobre a prática no país, foi realizada a pesquisa Respeite o meu terreiro, em 2025.

A partir das respostas de religiosos de 511 terreiros, a pesquisa constatou que 80% deles sofreram racismo religioso. Os relatos mais comuns incluem agressão verbal, xingamentos, ataques diretos e abordagem policial discriminatória. Essas situações ocorreram pelo menos uma vez em dois anos.

Do total das casas religiosas, a pesquisa mostra que 76% foram alvo de diversas formas de violência, sendo que 74% foram ameaçadas, depredadas ou destruídas por racismo religioso, como ocorreu com o terreiro Ìlé Àṣé Ìyá Ọṣún, em Aracaju.

Essa violência também ocorre no ambiente digital. As lideranças religiosas informaram que 52% dos terreiros sofreram assédio ou racismo religioso na internet. A maioria das casas tem perfis nas redes sociais mais populares, como Facebook e Instagram, para divulgar suas atividades do dia a dia.

Apesar da gravidade e recorrência dos ataques, somente uma parcela pequena conseguiu buscar apoio policial. Menos de três em dez registrou um boletim de ocorrência em delegacia.

O levantamento foi idealizado pela Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro) e o terreiro Ilê Omolu Oxum, em parceria com o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania e os resultados foram apresentados em reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), na quinta-feira (4), na Suíça.

Na publicação, Mãe Nilce, responsável pela pesquisa, afirma que nas últimas décadas, os terreiros continuaram sendo invadidos, destruídos, pais e mães de santo assassinados e fieis perseguidos “apenas por fazer parte de uma religião não cristã”.

Mãe Nilce diz que terreiros contiuam sendo invadidos, destruídos, pais e mães de santo assassinados. Foto: Mãe Nilce de Iansã/Arquivo Pessoal – Mãe Nilce de Iansã/Arquivo Pessoal

“Se no passado, nossos algozes eram as autoridades policiais, atualmente temos sido vítimas de uma campanha orquestrada por grupos religiosos, muitas vezes de origem pentecostal, que em alguns casos são associados ao narcotráfico e milícia”, destacou.

Na avaliação dela, são necessárias políticas públicas mais eficazes e mais conscientização social sobre o problema, uma solução apontada pelos próprios líderes na pesquisa. “Somente a partir do respeito dos modos destas comunidades, haverá garantia de direitos”, concluíram os pesquisadores, no texto.

Esta é a segunda edição da Respeite o meu terreiro, prevista para ser feita a cada dois anos, com o objetivo de mapear a violência baseada no racismo religioso contra comunidades afro-religiosas, assim como revelar as formas de resistência.

O racismo religioso é crime no Brasil, punido com pena de prisão de dois a cinco anos ou multa, em alguns casos. No momento do crime, a Polícia Militar pode ser acionada discando 190.

Para registrar um boletim de ocorrência, procure uma delegacia de polícia. Também é possível registrar o caso pelo Disque 100, serviço telefônico do governo federal para denunciar violação de direitos humanos, de forma anônima e gratuita.

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro

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Mãe de santo processa motorista e acaba acusada de intolerância por juiz; entenda o caso https://radioyoruba.com.br/2025/10/27/mae-de-santo-processa-motorista-e-acaba-acusada-de-intolerancia-por-juiz-entenda-o-caso/ https://radioyoruba.com.br/2025/10/27/mae-de-santo-processa-motorista-e-acaba-acusada-de-intolerancia-por-juiz-entenda-o-caso/#respond Mon, 27 Oct 2025 22:06:56 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=18861 O juiz Adhemar de Paula Leite Ferreira Neto julgou uma ação da mãe de santo que acusava um motorista de aplicativo de racismo religioso e entendeu que ação do motorista não era preconceituosa, e que, na verdade, a mulher foi quem cometeu a intolerância. Uma decisão judicial gerou uma denúncia de racismo religioso contra o […]

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O juiz Adhemar de Paula Leite Ferreira Neto julgou uma ação da mãe de santo que acusava um motorista de aplicativo de racismo religioso e entendeu que ação do motorista não era preconceituosa, e que, na verdade, a mulher foi quem cometeu a intolerância.

Juiz é denunciado por racismo religioso

Uma decisão judicial gerou uma denúncia de racismo religioso contra o juiz responsável pela sentença na Paraíba. O juiz Adhemar de Paula Leite Ferreira Neto, do 2º Juizado Especial Cível de João Pessoa, negou uma indenização a uma mãe de santo que teve uma corrida cancelada por um motorista de aplicativo que se recusou a ir até um terreiro de candomblé.

O juiz entendeu que que a mãe de santo Lúcia de Fátima cometeu intolerãncia, e que o motorista não cometeu o racismo religioso, denunciado por ela.

Ao cancelar a corrida, o motorista respondeu por mensagem no aplicativo, no dia 23 de março de 2024, o seguinte: “Sangue de Cristo tem poder, quem vai é outro kkkkk tô fora”. A corrida foi cancelada em seguida. A mensagem motivou a ação judicial da mãe de santo, que pediu uma indenização de R$ 50 mil.

O juiz negou o pedido de indenização movido pela mãe de santo e afirmou, na sentença, que quem cometeu intolerância religiosa no caso teria sido a mulher por considerar ofensivas as frases enviadas pelo motorista.

A denúncia da mãe de santo contra o motorista

Motorista da Uber utilizou expressões religiosas para recusar corrida de mãe de santo, em João Pessoa — Foto: Reprodução/Redes sociais

Em março de 2024, Lúcia de Fátima denunciou nas redes sociais ter sido alvo de intolerância religiosa. Um boletim de ocorrência foi registrado posteriormente sobre o caso.

De acordo com a religiosa, uma integrante do terreiro solicitou um carro de aplicativo para levá-la a uma consulta médica de urgência. Ela explicou, por mensagem, que o endereço era o local religioso, para ajudar o motorista a se localizar.

O motorista Leonardo respondeu por mensagem: “Sangue de Cristo tem poder, quem vai é outro kkkkk tô fora”. A corrida foi, então, cancelada.

Na época do acontecido, a mãe de santo explicou ao g1 que quando viu a mensagem teve um aumento de pressão e, depois que outro motorista aceitou a corrida, chegou à consulta médica passando mal.

“A gente se sente muito menosprezada enquanto ser humano, entendeu? Eu gostaria que nenhum pai e mãe de santo passasse pelo que eu passei. A gente se sente muito mal numa situação dessa. A gente se sente ninguém na realidade”, disse.

Além do boletim na polícia, a mãe de santo também entrou com uma ação de indenização contra o motorista e a empresa Uber, responsável pelo aplicativo de viagens. A ação na Justiça foi movida apontava racismo religioso e pedia uma indenização de R$ 50 mil. Na época do caso, o motorista foi banido da plataforma.

Nos autos do processo judicial, a Uber afirmou que é parte ilegítima no processo, pois atua apenas como intermediária entre motoristas e passageiros, sem responsabilidade sobre condutas individuais dos motoristas, que seriam trabalhadores autônomos. Disse que não houve falha em seus serviços nem nexo entre a atuação da empresa e o suposto dano moral.

A empresa também alega que adotou todas as medidas cabíveis, como desativar o motorista, e que não tem controle sobre mensagens privadas trocadas entre motoristas e passageiros, e pediu a improcedência da ação.

O julgamento
Mais de um ano depois da judicialização do episódio, o caso foi julgado pelo juiz Adhemar Ferreira Neto, em setembro de 2025. No despacho do magistrado, ele analisou que era a mãe de santo quem cometeu a intolerância.

“A autora, a se ver da inicial, ao afirmar considerar ofensiva a ela a frase ‘Sangue de Cristo tem poder’, denota com tal afirmação que a intolerância religiosa vem dela própria. E não do motorista inicialmente selecionado pela ré para transportá-la”, diz trecho da sentença.

Segundo o juiz, a mensagem enviada pelo motorista é “livre manifestação de uma crença, e de respeito pela crença do outro. No caso, respeito pela crença da autora”.

“Se, intimamente, o crente ofende-se com o que considera ofensa à sua crença, a tolerância o impele a afastar-se do convívio com o ofensor”, diz outro trecho.

O magistrado disse em outro ponto que ele não podia “passar do mundo dos fatos ao mundo dos sentimentos apenas para concordar com os sentimentos da autora [a mãe de santo] e ver o que não tem como ser visto nem provado, que é o dolo do motorista selecionado de ofender”.

Ele acrescentou também em sua decisão que o ato de recusar a corrida esteve separado de qualquer intenção preconceituosa e que está pautada na liberdade de aceitar e recusar as corridas no aplicativo, como é previsto nas próprias diretrizes do serviço.

“Sendo assim, não está contratualmente obrigado a transportar quem não quer. Cabendo à ré, em caso de recusa do motorista inicialmente selecionado, encontrar motorista que queira aceitar a solicitação. Que foi o que aconteceu, na ocasião, em relação à autora”, ressaltou o juiz.

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Carnaval 2026: Portela escolhe samba para reverenciar Príncipe Custódio, responsável pela estruturação do Batuque, religião de matriz africana. https://radioyoruba.com.br/2025/09/28/carnaval-2026-portela-escolhe-samba-para-reverenciar-principe-custodio-responsavel-pela-estruturacao-do-batuque-religiao-de-matriz-africana/ https://radioyoruba.com.br/2025/09/28/carnaval-2026-portela-escolhe-samba-para-reverenciar-principe-custodio-responsavel-pela-estruturacao-do-batuque-religiao-de-matriz-africana/#respond Sun, 28 Sep 2025 13:18:15 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=17743 Maior campeã da folia carioca, escola de Madureira tenta romper um jejum de nove anos sem títulos A Portela escolheu, na sexta-feira (26), o samba-enredo que embalar seu desfile na Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026. A maior campeã da folia carioca prestará uma homenagem a Príncipe Custódio, apontado como o principal responsável pelo […]

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Maior campeã da folia carioca, escola de Madureira tenta romper um jejum de nove anos sem títulos

Portela encerrou os desfiles das escolas de samba do Carnaval carioca • Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

A Portela escolheu, na sexta-feira (26), o samba-enredo que embalar seu desfile na Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026. A maior campeã da folia carioca prestará uma homenagem a Príncipe Custódio, apontado como o principal responsável pelo batuque, religião de matriz africana do Rio Grande do Sul.

A obra escolhida foi composta por Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena.

No próximo desfile, a Portela fará uma homenagem a Custódio Joaquim de Almeida, mais conhecido como Príncipe Custódio. Figura histórica e espiritual do Benin, na África, ele marcou a cultura afro gaúcha no século 19. Ainda hoje, o homenageado é apontado como o principal responsável pela estruturação do Batuque, religião de matriz africana local.

Batizado de “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, o enredo assinado por André Rodrigues busca romper a centralização de narrativas afro-brasileiras no eixo Rio-Bahia, explorando assim a força da ancestralidade na região do sul.

No Carnaval deste ano, a Portela prestou um tributo a Milton Nascimento, conquistou 269,4 pontos e terminou a apuração na quinta colocação. Em 2026, a Águia Altaneira tenta conquistar seu 23º título na folia carioca e romper um jejum de nove anos sem vitórias em Madureira. Ela será a terceira agremiação a desfilar no domingo de Carnaval (16 de fevereiro), data em que Niterói, Imperatriz e Mangueira também cruzam a Sapucaí.

Ouça o samba-enredo da Portela para o Carnaval de 2026

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Polícia investiga invasão e destruição em terreiro de candomblé, em João Pessoa https://radioyoruba.com.br/2025/09/14/policia-investiga-invasao2-e-destruicao-em-terreiro-de-candomble-em-joao-pessoa/ https://radioyoruba.com.br/2025/09/14/policia-investiga-invasao2-e-destruicao-em-terreiro-de-candomble-em-joao-pessoa/#respond Sun, 14 Sep 2025 22:12:49 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=17632 Ministério Público da Paraíba informou que acompanha as investigações após instauração de Notícia de Fato pela Promotora Fabiana Lobo. Suspeitos não foram identificados. A Polícia Civil investiga uma invasão e também a destruição de um terreiro de candomblé, no Bairro das Indústrias, em João Pessoa, na noite do último sábado (14). De acordo com o […]

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Ministério Público da Paraíba informou que acompanha as investigações após instauração de Notícia de Fato pela Promotora Fabiana Lobo. Suspeitos não foram identificados.

Vários objetos do templo em João Pessoa foram danificados — Foto: TV Cabo Branco

A Polícia Civil investiga uma invasão e também a destruição de um terreiro de candomblé, no Bairro das Indústrias, em João Pessoa, na noite do último sábado (14). De acordo com o delegado João Paulo Amazonas, a investigação acontece pela Delegacia de Repressão aos Crimes Homofóbicos, Étnico-Raciais e Delitos de Intolerância Religiosa.

A Polícia Militar foi acionada no terreiro de Pai Lei D’Azauani por conta da invasão e destruição do local no momento em que estava havendo uma festa religiosa em culto ao orixá, no entanto, ao chegar no local, nenhum suspeito foi localizado e até a última atualização desta matéria ninguém havia sido preso. Imagens obtidas pela Rede Paraíba mostram como o local ficou após a destruição.

Pelas imagens, é possível perceber que cadeiras e mesas foram quebradas, além de uma série de objetos jogados no chão.

Em contato com a Rede Paraíba, a promotora do Ministério Público da Paraíba (MPPB), Fabiana Lobo, informou que uma Notícia de Fato foi registrada no órgão após o ocorrido ser veiculado na imprensa e que a promotoria de Defesa da Cidadania e dos Direitos Fundamentais acompanha as investigações.

Um ofício foi enviado para a Polícia Civil, solicitando o andamento das investigações. João Paulo Amazonas informou que policiais foram deslocados para o terreiro nesta tarde de domingo (14) para falarem com testemunhas no local e, a partir da segunda-feira (15), o delegado Marcelo Falcone assume as investigações.

Nenhum suspeito pela invasão e destruição foi preso até a última atualização desta matéria — Foto: TV Cabo Branco

Em nota, a Federação Paraibana de Tradições Afro Descendentes (FPTAD) disse que espera a atuação dos órgãos competentes para elucidar o acontecido, além de afirmar que vai continuar lutando para que o direito ao culto seja garantido aos povos e religiões de matrizes africanas.

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Diogo Nogueira celebra trajetória de 4 anos no Candomblé https://radioyoruba.com.br/2025/09/07/diogo-nogueira-celebra-trajetoria-de-4-anos-no-candomble/ https://radioyoruba.com.br/2025/09/07/diogo-nogueira-celebra-trajetoria-de-4-anos-no-candomble/#respond Sun, 07 Sep 2025 05:43:21 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=17619 Cantor compartilhou novas fotos nesta quinta (4) e agradeceu casa de Axé e pai de santo O cantor Diogo Nogueira, 44, compartilhou nesta quinta-feira (4) novas fotos para celebrar sua trajetória de 4 anos no Candomblé. Na declaração, ele agradeceu à casa de Axé e ao pai de santo, Fábio Nogueira. “4 anos se passaram […]

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Cantor compartilhou novas fotos nesta quinta (4) e agradeceu casa de Axé e pai de santo

O cantor Diogo Nogueira, 44, compartilhou nesta quinta-feira (4) novas fotos para celebrar sua trajetória de 4 anos no Candomblé. Na declaração, ele agradeceu à casa de Axé e ao pai de santo, Fábio Nogueira.

“4 anos se passaram desde minha feitura no Candomblé. Cada guia que carrego é um elo vivo com meus orixás, que me orientam, protegem e caminham comigo todos os dias. Gratidão ao meu pai Fábio Nogueira e à minha casa de Axé por todo aprendizado e proteção. Olorum Modupé! Axé!”, escreveu.

Na publicação, Diogo Nogueira falou sobre o início de sua trajetória na religião. “Eu resolvi também falar um pouco da minha iniciação. E aí eu tô com o Fábio, que é meu primo, meu pai de santo, Fábio de Jagum. Eu pedi pra ele explicar um pouco de como começou essa história”, contou o cantor.

Fábio explicou ainda como foram definidos os caminhos espirituais do artista. “Suspensão é para dizer que ele tem cargo, que ele é uma pessoa não rodante e que ele é um Ogã. E a partir daquele momento que você está recolhido, que você está para o seu orixá, a coisa muda completamente de figura. Você morre para você nascer para orixá. Parreoiá, Meshorum. Axé pra todos vocês!”, contou.

Confira:

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Macumbeira: Preta Gil contra preconceitos https://radioyoruba.com.br/2025/07/21/candomblecista-preta-gil-contra-preconceitos/ https://radioyoruba.com.br/2025/07/21/candomblecista-preta-gil-contra-preconceitos/#respond Mon, 21 Jul 2025 21:21:31 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=17593 Preta, macumbeira e bissexual: Preta Gil contra preconceitos A luta da cantora como voz importante na sociedade, ela não escondia suas bandeiras. Assumiu-se candomblecista num país de maioria evangélica, sem medo de julgamentos diante da onda crescente da intolerância religiosa. Mostrou seu altar de fé em um programa no GNT, com imagens de seus orixás. […]

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Preta, macumbeira e bissexual: Preta Gil contra preconceitos

Foto Internet Reprodução

A luta da cantora como voz importante na sociedade, ela não escondia suas bandeiras. Assumiu-se candomblecista num país de maioria evangélica, sem medo de julgamentos diante da onda crescente da intolerância religiosa. Mostrou seu altar de fé em um programa no GNT, com imagens de seus orixás. “Tenho meus orixás e meus santos católicos, sempre tive uma fé muito grande desde criança, sou filha de baianos. É minha ancestralidade”, disse, na ocasião.

Foto Internet Reprodução

Sobre sua bissexualidade, ela dizia: “Desde que sou criança”. Assim falava nos stories do Instagram, sempre que perguntada sobre assuntos mais íntimos. Falava abertamente a respeito. Sem medo, mais uma vez. Feliz, como era seu estilo.

Preta Gil – Os primeiros 50 – Foto Internet Reprodução.

Num show, como em tantos, reafirmou sua identidade potente como voz que ecoava na sociedade, pregando o poder de se respeitar as diferenças. “Sou uma mulher gorda, preta, bissexual, acabei de vencer um câncer, sou avó, sou apaixonada pelos meus fãs. Quero saber quem são vocês”. Perde muito o país neste domingo, 20.

 

 

 

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Pai de Santo da Anitta pode ser candidato com apoio de Bolsonaro https://radioyoruba.com.br/2025/04/11/pai-de-santo-da-anitta-pode-ser-candidato-com-apoio-de-bolsonaro/ https://radioyoruba.com.br/2025/04/11/pai-de-santo-da-anitta-pode-ser-candidato-com-apoio-de-bolsonaro/#respond Fri, 11 Apr 2025 12:29:11 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=17515 Líder espiritual de famosos comenta possibilidade de disputar as eleições de 2026 — e revela detalhes de momentos com o ex-presidente Bolsonaro, Michelle e aliados O pai de santo Sergio Pina, conhecido por ser o mentor espiritual da cantora Anitta e de outras personalidades, foi meu convidado no programa Painel IstoÉ Gente nesta segunda-feira, dia […]

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Líder espiritual de famosos comenta possibilidade de disputar as eleições de 2026 — e revela detalhes de momentos com o ex-presidente Bolsonaro, Michelle e aliados

Pai de Santo da Anitta pode ser candidato com apoio de Bolsonaro Foto: Reprodução/Redes Sociais

O pai de santo Sergio Pina, conhecido por ser o mentor espiritual da cantora Anitta e de outras personalidades, foi meu convidado no programa Painel IstoÉ Gente nesta segunda-feira, dia 7. Em uma conversa franca e reveladora, Pina comentou sobre sua participação no ato político liderado por Jair Bolsonaro na Avenida Paulista no último domingo, falou sobre sua trajetória de mais de 50 anos no candomblé e comentou sobre as conversas para entrar na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições do ano quem vem.

“Já recebi convites, sim. Não vou negar. Mas eu sou um homem que não gosta de tentar. Eu gosto de mirar e acertar”, afirmou Pina. Ao longo da conversa, o líder religioso ressaltou que se sente preparado para assumir um papel político, desde que esteja alinhado com sua missão espiritual. “Se houver o espaço, com certeza, na direita, irei falar. Levar meu legado, minha religião e todos comigo. Somos nós que precisamos estar lá”, disse.

Apesar das críticas que vem enfrentando, inclusive dentro da própria comunidade religiosa, Pina se mantém firme em seu posicionamento político conservador. “Sou atacado pelos meus, pelo tal do fogo amigo. Mas muitos já fecharam comigo. Muita gente está escondida, com medo de se posicionar”, revelou.

Durante a entrevista, ele também relatou detalhes sobre seu encontro com Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro no Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador de São Paulo. Segundo ele, foi tratado com muito respeito e afeto. “Parece que a gente se conhece há anos. A Michelle me recebeu de forma muito calorosa, me abraçou com carinho. Pessoas do bem se reconhecem”, afirmou.

Pina também comentou sobre a relação com Bolsonaro e rechaçou a ideia de que não há espaço para pessoas das religiões afro-brasileiras dentro do campo conservador. “Se o presidente falou algo contra, que me mandem na íntegra. Mas se atacou e depois enxergou que estava errado, por que não consertar? Somos todos passíveis de erro.”

Para além da política, Pina falou sobre a representatividade das religiões de matriz africana e o preconceito que ainda enfrentam. Disse que sua postura pública tem incomodado justamente por ocupar um espaço que há muito tempo é negado a líderes como ele. “Me apresente alguém hoje que fale por nós? Não temos. Precisamos de voz. Se não for eu, que seja outro. Mas alguém precisa nos representar de verdade”, afirmou.

O líder espiritual também reforçou que sua presença no ato do fim de semana não foi para promover conflito, mas para defender a liberdade. “Fui à rua por isso. Vi pais de família, trabalhadores sendo presos injustamente por estarem vendendo produtos em manifestações. Isso me tocou profundamente.”

Ao ser questionado sobre possíveis nomes para a presidência caso Bolsonaro permaneça inelegível, Pina não hesitou: “Meu presidente ainda é o Bolsonaro. Mas se ele apontar outro nome, como Tarcísio, Zema ou Michelle, eu sigo. Confio no seu discernimento.” Ele também teceu elogios à ex-primeira-dama. “Ela fala bem, tem postura, é sensata. O casal se equilibra. Ele é mais impulsivo, ela mais ponderada. Isso é bonito de ver.”

A relação com a cantora Anitta, uma das artistas brasileiras mais influentes do mundo, também foi pauta na conversa. Segundo Pina, o vínculo com ela é mais espiritual do que político. “Convivo pouco com a Anitta, mas diariamente com a Larissa”, disse, diferenciando a artista da mulher por trás dos palcos. “Ela tem o direito dela de opinar, de levantar a bandeira dela. E eu também tenho. Vivemos numa democracia.”

Sobre o episódio em que a cantora perdeu seguidores ao revelar sua ligação com a religiosidade de matriz africana, Pina lembrou com empatia: “Ela sofreu intolerância religiosa. Quando eu fui ao ato, ela brincou: ‘Pai, o senhor apanhou muito também, hein?’ Rimos juntos.”

Mesmo se declarando conservador, Pina defende a inclusão e o respeito à diversidade. Disse que, no candomblé, não há espaço para preconceito com a comunidade LGBTQIAPN+. “Pecado para mim é ser mau-caráter, tirar o pão da boca do outro. Viver a sua sexualidade em paz com o outro não é pecado.” E reforçou: “O candomblé aceita todos, mas não aceita tudo. Não aceitamos a baderna, a violência, a droga. Mas aceitamos as pessoas como são.”

Ele também comentou sobre a mudança a possibilidade de retorno de Regina Duarte, ex-secretária de cultura de Bolsonaro, e Cássia Kis às novelas da Globo. “O que fizeram com a Regina foi horrível. Estão voltando porque perceberam que existe público para outras vozes. Isso é saudável.”

Ao mesmo tempo, ponderou que a emissora carioca precisa tomar cuidado nessa tentativa de atrair o público conservador para assistir suas produções: “Tudo que é demais vira resto. Que se tenha equilíbrio. Uma novela pode ter o conservador e o progressista sentando à mesma mesa.”

Ao final da entrevista, Pina fez questão de levantar bandeira branca aos ataques que vem recebendo na internet: “Eu não desisto de trazer quem tem preconceito comigo para perto. Tudo é diálogo, escuta e postura.”

A possível entrada de Sergio Pina na política pode representar, para muitos, um símbolo de transformação: uma tentativa de unir fé, tradição e representatividade com um debate democrático. “Não sou político, sou sacerdote. Mas se o caminho for esse, irei com responsabilidade e coragem”, concluiu.

Fonte ISTO É

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Encontro de tradições: entenda mais sobre os santos católicos e o sincretismo religioso

Foto Internet Reprodução

Você costuma participar das comemorações de Cosme e Damião todos os anos? Talvez até já tenha guardado saquinhos com doces ou visto celebrações em seu bairro, mas você conhece o significado dessa tradição?

Popularmente celebrado em 27 de setembro — embora marcado no dia 26 de setembro no calendário da Igreja Católica — o Dia de Cosme e Damião transcende a distribuição de bolos, balas, pirulitos e outras guloseimas, sendo uma data repleta de simbolismo. A comemoração é significativa não apenas para os católicos, mas também para os adeptos das religiões de matriz afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda.

Para as tradições mencionadas, Cosme e Damião são sincretizados com os Orixás Ibejis, representações da dualidade e da pureza das crianças. A celebração dessa data reforça a importância de cuidar e proteger os pequenos, tanto física quanto espiritualmente, com rituais que honram os princípios de alegria, união e equilíbrio.

Cosme e Damião ou Ibejis: duas tradições, um significado
Sidnei Nogueira, babalorixá, escritor, mestre, doutor, palestrante e sacerdote na Comunidade da Compreensão e da Restauração Ilè Asè Sàngó, conta à CNN que Cosme e Damião foram irmãos gêmeos que ficaram famosos por serem “médicos” que não cobravam pelos seus serviços de atendimento e de cura aos doentes.

No século IV, durante as perseguições aos cristãos sob o governo do imperador Diocleciano, os irmãos foram presos e acusados de praticar feitiçaria. No ano de 303, foram executados. Nos tempos atuais, são considerados padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de medicina.

“Foram presos, torturados e martirizados por serem cristãos. O culto a eles se espalhou com destaque para as ações do Papa Félix IV e de Justiniano I. Olhando para o Brasil, um país extremamente devocional, de muita fé e naturalmente espiritualizado, esses santos estão intimamente associados às crianças”, explica Nogueira. “Quanto ao Candomblé, nós celebramos a infância, celebramos as crianças, celebramos a alegria. Inclusive, nós também [povos de terreiros] temos divindades que são dois irmãos gêmeos, os Ibejis: Taiwo e Kehinde.”

“São orixás poderosos da cultura Yorubá que podem curar, proteger as crianças e evitar a morte prematura, ao enganar a própria morte”, continua. “Sua origem é na cidade de Igbo-Ora, na Nigéria, considerada a capital mundial dos gêmeos. Estima-se que ela tenha cerca de 158 pares de gêmeos para cada mil nascidos vivos.”

Nos terreiros de Umbanda e Candomblé, a festa de Cosme e Damião é um dos eventos mais esperados do calendário religioso. Durante as festividades, é comum a realização de rituais com cânticos, danças e oferendas para celebrar tanto os santos cristãos quanto os orixás africanos. Ambas as tradições, inclusive, valorizam a proteção das crianças.

“Acredita-se que celebrando e agradando as crianças, oferecendo doces a elas, todos nós receberemos alegria, prosperidade, saúde e vida longa”, pontua Nogueira.

Um pouco mais sobre o sincretismo
O professor defende que o sincretismo religioso, aspecto marcante da cultura religiosa no Brasil, foi uma tática de sobrevivência utilizada pelos escravizados no país. Proibidos de praticar suas crenças e fé de forma aberta e livre, muitos disfarçaram suas divindades sob a imagem dos santos católicos.

O marco, desta maneira, permitiu que as religiões advindas da África sobrevivessem à repressão e também criou novas formas de espiritualidade, capazes de acolher diferentes visões do divino. A festa de Cosme e Damião na Umbanda e no Candomblé é um dos exemplos mais vivos desse encontro, onde o passado colonial e a resistência cultural se transformaram em um novo legado espiritual.

“Não nos esquecemos que foram 5 milhões de pretos e pretas escravizados no Brasil. Portanto, foi uma estratégia de manutenção de uma África ancestral, uma África Bantu, Yorubá, das diferentes nações de Candomblé, Keto, Jeje, Angola, Nagô, porque os senhores de engenho torturavam qualquer escravizado que não seguisse a fé católica”, explica Nogueira.

“Portanto, havia essa associação direta; ao olhar para a estátua de Cosme e Damião, os escravizados cantavam e rezavam, em suas respectivas línguas, para Ibeji. Desta forma, os escravagistas olhavam e acreditavam que estariam adorando os deuses católicos”, conclui.

Sidnei Nogueira acrescenta que, atualmente, não enxerga mais o sincretismo como uma necessidade, mas valoriza o poder do vínculo que segue estabelecido até os tempos atuais. “Historicamente, a associação está feita e não quer dizer que ambos tenham a mesma origem e significado, mas sempre há elementos que os conectam, como Santa Bárbara à Yansã, Ibejis a Cosme Damião, Ogum a São Jorge (em algumas regiões do Brasil) e São Lázaro a Obaluaê“, explica.

“A associação está feita, e de verdade, não é uma associação que eu, particularmente, considere nociva. Eu gosto mais de uma leitura de que os Orixás negros enegreceram os santos católicos brancos, do que o contrário. Nós estamos no campo da devoção e este campo é naturalmente subjetivo e plural”, continua. “Inclusive, devido à essa relação, foi o que possibilitou que as crianças de diferentes religiões fossem aos terreiros pegar os doces e os presentes da festa de Cosme e Damião.”

“Nós celebramos Ibejis, mas até hoje nós falamos que é a festa de Cosme e Damião. Por quê? Porque nós celebramos Cosme e Damião e Ibejis ao mesmo tempo”, finaliza.

Itã (conto Yorubá)
O babalorixá Sidnei Nogueira explica que o itã, ou conto em Yorubá, mais conhecido dos Ibejis, é o que os irmãos enganam a própria morte, justamente para destacar a importância do duplo, dos gêmeos.

“Conta-se que a Morte se ofendeu porque deixaram de lhe fazer oferendas”, explica. “E, ofendida, ela começa a matar todo mundo. Os gêmeos eram crianças e, portanto, precisavam de outras crianças para brincar, para se divertir. Com as mortes, chegou um dia em que não haviam mais crianças. A Morte punia a humanidade pela falta de respeito e oferendas, impedindo também que novas vidas viessem ao mundo.”

Os Ibejis gêmeos decidiram que iriam resolver essa situação. “Apesar de ninguém acreditar neles, nem mesmo os Orixás, os gêmeos afirmaram que fariam uma oferenda a Iku, a Morte na tradição Yorubá”, continua. “Assim, um dos irmãos foi até a Morte, enquanto o outro ficou escondido, combinando um revezamento. Ao chegar, o gêmeo se apressou em dizer que estava ali para fazer uma oferenda. Para sua surpresa, a Morte, que inicialmente queria matá-lo, se encantou quando ele começou a tocar um tambor e ela própria começou a dançar.”

“Durante mais de dez horas, o primeiro irmão tocou incessantemente. Quando ele se cansou, o outro irmão assumiu o lugar e continuou a tocar, sempre que a Morte se distraía com a música. Ela, encantada pela vitalidade e ritmo, dançava feliz, sem perceber que os irmãos estavam se revezando. Com o passar das semanas, a Morte ficou exausta, mas continuou dançando”, continua.

“Em um momento de cansaço extremo, um dos irmãos declarou que só pararia de tocar se ela parasse de matar. A Morte, então, concordou, mas pediu que ao menos uma vez por mês ele voltasse para tocar, para que ela pudesse se divertir e dançar, aliviando a pesada tarefa de levar vidas. Assim, compreendemos que a infância e as crianças possuem um poder imenso, capaz até mesmo de enganar a Morte. Essa história ilustra a força e a importância dos Ibejis, os orixás gêmeos, na tradição”, finaliza a explicação.

Mas e o terceiro irmão?
É comum encontrar algumas representações de Cosme e Damião acompanhadas por uma terceira criança menor, que seria Doum.

Diversas lendas explicam a origem dessa figura. Uma delas relata que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e, após a morte de Doum, os irmãos seguiram a carreira de médicos, dedicando-se a cuidar das crianças de forma gratuita. Doum é reverenciado como o protetor das crianças até os sete anos de idade.

Salve as crianças: rituais, oferendas e agradecimento
O babalorixá esclarece que, para os candomblecistas, a principal oferenda de agradecimento aos Orixás Ibejis seria a nossa alegria e doçura.

“Nós acreditamos que quando você oferece alguma coisa para Ibejis, você também está agradando Cosme e Damião. Esse hibridismo não é um problema, até porque nós estamos no campo da devoção, não é mesmo? Então, como crianças, tanto Cosme Damião quanto Ibeji recebem doces diversos, como maria mole, pé de moleque, guaraná, salada de frutas, etc”, conta.

Mas quanto ao Caruru? Aos devotos, trata-se de prato tradicional da culinária afro-brasileira, que tem um papel central nas celebrações de Cosme e Damião na Umbanda e no Candomblé.

Inclusive, a iguaria foi reconhecida como patrimônio imaterial do estado da Bahia. A resolução ocorreu no dia 19 de setembro, em sessão plenária presidida pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC).

O título foi aprovado por unanimidade e o registro deverá ser publicado no Diário Oficial do Estado, em 27 de setembro.

“Nós no Candomblé chamamos de Caruru de Ibejis o guisado feito de quiabos. Além disso, também faz-se vatapá, arroz de leite, pipoca e acarajé, justamente pela relação muito forte com Yansã. Todos estes pratos também são oferecidos aos Erês, que são os iniciados no estado de crianças no Candomblé e os espíritos encantados de crianças na Umbanda”, complementa.

Apesar da herança cultural e espiritual presente nestas celebrações, as comemorações enfrentam o racismo religioso no Brasil. Esse preconceito se manifesta na forma de discriminação, intolerância e violência contra praticantes dessas tradições. Em apenas sete meses, o Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, registrou 1.451 denúncias de violação da liberdade de crença ou religião neste ano. Esse número é quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado, quando foram feitas 789 denúncias desse tipo.

“É uma pena que atualmente a intolerância religiosa tem satanizado tanto os santos católicos quanto os Orixás. [Antigamente], uma coisa que sempre foi tão natural, toda criança, sendo, ela católica ou evangélica, não importava religião, ia até o terreiro pegar seu saquinho de doces, pegar seus brinquedos”, fala Nogueira. “E hoje, lamentavelmente, por conta do fundamentalismo, as crianças têm sido proibidas de irem aos terreiros buscar seus doces e balas. Nós, de terreiro, incorporamos, inclusive, livros infantis para dar para as crianças nessa época de festejo aos Ibejis e a Cosme Damião, mas, infelizmente, a intolerância religiosa tem produzido muita segregação, muito ódio, a ponto de nos impedir de agradar as crianças.”

Muitas das celebridades adeptas do candomblé e da umbanda celebram a data, como é o caso do cantor Zeca Pagodinho.

Fonte: CNN

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Justiça do Pará anula decisão que obrigava mãe de santo a se mudar por conta de prática religiosa https://radioyoruba.com.br/2024/09/27/justica-do-para-anula-decisao-que-obrigava-mae-de-santo-a-se-mudar-por-conta-de-pratica-religiosa/ https://radioyoruba.com.br/2024/09/27/justica-do-para-anula-decisao-que-obrigava-mae-de-santo-a-se-mudar-por-conta-de-pratica-religiosa/#respond Fri, 27 Sep 2024 12:10:43 +0000 https://radioyoruba.com.br/?p=15172 A Justiça do Pará, a partir de uma decisão da juíza Ana Patrícia Nunes Alves Fernandes, da 1.ª Turma Recursal Permanente dos Juizados Especiais, decidiu anular uma transação penal, ou seja, um tipo de acordo fechado entre o réu e o Ministério Público, que obrigava uma mãe de santo a se mudar. Segundo os vizinhos, […]

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Foto Meramente Ilustrativa – Acervo Rádio Yorubá

A Justiça do Pará, a partir de uma decisão da juíza Ana Patrícia Nunes Alves Fernandes, da 1.ª Turma Recursal Permanente dos Juizados Especiais, decidiu anular uma transação penal, ou seja, um tipo de acordo fechado entre o réu e o Ministério Público, que obrigava uma mãe de santo a se mudar. Segundo os vizinhos, o barulho da prática religiosa, já que ela mora em anexo a um a um templo umbandista, estava perturbando o sossego da vizinhança.

Ao anular o acordo, a juíza considerou que ele foi abusivo já que viola a liberdade religiosa e o direito de moradia da mulher. “A imposição de obrigações que resultam no afastamento compulsório da paciente de sua residência e de suas práticas religiosas ultrapassa os limites da transação penal”, afirmou a magistrada. Na época a mãe de santo até aceitou encontrar um novo local para ficar.

A juíza também alegou que não há provas de que houve de fato perturbação sonora, já que nenhum laudo que medisse os decibéis foi produzido e anexado ao processo. Por isso, a magistrada também destacou que tal decisão poderia causar danos irreparáveis a mãe de santo.

“A paciente se vê ameaçada de cumprimento de uma sanção que pode violar direitos fundamentais, além de configurar restrição à sua liberdade religiosa e de culto. A demora na apreciação da matéria de fundo pode resultar em grave prejuízo irreparável à paciente, inclusive a efetivação de medidas que atinjam diretamente sua dignidade e liberdade”.

Fonte – Notícia preta, por Barbara souza

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Em julho, o Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, vai inaugurar a exposição “Vida na Fé: Matriz Africana – Edição Ogan Bangbala”, que homenageia Luiz Ângelo da Silva, o Ogan Bangbala, conhecido por ser o Ogan mais velho em atividade no Brasil. Aos 105 anos, o Ogan viveu 98 deles dedicados ao Candomblé, e terá suas contribuições para a preservação e construção de terreiros tradicionais no Rio de Janeiro e em Salvador contadas na mostra.

A exposição promete uma imersão cultural que destaca não apenas a trajetória pessoal de Bangbala, mas também a profundidade das matrizes culturais africanas que ele representa. O visitante será transportado para uma ambientação cênica que remete à casa do Ogan, com referências de sua história e seu papel na comunidade.

 

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